15º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base do Brasil – 1ª parte

Foto: cebsdobrasil.com.br

Éramos 1.500 representantes das Comunidades Eclesiais de Base de todo o Brasil reunidos em Rondonópolis, Mato Grosso, nos dias 18 a 22 de julho. Entre nós, leigos e leigas (a maioria), religiosos, religiosas, padres e bispos, gente que acredita nas CEBs como “Igreja em saída na busca de vida plena para todos e todas”, tema fundante do 15º Encontro Intereclesial das CEBs do Brasil. Havia também muitos representantes de Igrejas irmãs e gente de fora do Brasil. Como sempre acontece nestes eventos, foi um encontro de explosão de alegria, de cores e de muita diversidade. Como outros dizem, foi um Kairós para as Comunidades de todo o Brasil, em tempos não alvissareiros para o nosso jeito de ser Igreja.

Iluminados pela citação de Isaias, “Vejam! Eu vou criar novo céu e uma nova terra”, o Intereclesial aconteceu dentro de um contexto muito peculiar e temeroso do Estado do Mato Grosso, terra do agro-negócio e de força política de extrema direita, porém, em nenhum momento este clima interferiu no interno do encontro. Ouviu-se alguns comentários a respeito de discussões calorosas, porém nada que se tornou público ou tenha desanimado a grande assembleia. Podia-se sentir o Ruah de Deus nas reflexões dos regionais e dos grupos, na alegria cantante da assembleia, nas danças espontâneas dos participantes, no entrelaçamento de leigos e leigas com seus pastores na Casa Comum e nos  Biomas que formavam o grande encontro.

Foto: cebsdobrasil.com.br

A participação do Regional Norte II, do qual fazemos parte, foi um tanto atravancada, mas nós chegamos com certeza de uma participação ativa no encontro. Os representantes da Arquidiocese de Santarém fizeram um caminho próprio, seguindo em carro particular pela BR 163 direto de Santarém a Rondonópolis. As outras dioceses e prelazias nos encontramos em Belém para tomar um ônibus no dia 15 de julho. Depois de uma parada estratégica em Marabá para um momento de entrosamento e envio feito pelo bispo daquela Diocese, Dom Vital Corbellini, seguimos viagem. Poucos quilômetros avante tivemos um problema com o ônibus que causou um dia de atraso e a experiência de ficar à margem da estrada como peregrinos sem abrigo. Mas o Senhor bondoso não nos abandonou e conseguimos alcançar Rondonópolis na noite do início do encontro. Nossa representação é uma amostra da diversidade que foi o encontro: 21 leigas, 10 leigos, 6 jovens, 3 religiosas, 5 padres, 1 diácono, 1 quilombola, 1 indígena, 1 representante da Igreja Luterana, 1 bispo. Fomos em 50 pessoas!

O encontro se desenvolveu a partir da metodologia já consagrada pelas CEBs, que é o VER, JULGAR (discernir e iluminar) e o AGIR. Durante o encontro foram abordado as temáticas da educação, ecologia integral, economia de Francisco e Clara, o poder e a sinodalidade na Igreja e a dimensão político-social das CEBs. A dinâmica do encontro foi dada pelas plenárias realizadas na “Casa Comum” e nos biomas “Amazônia”, “Caatinga”, “Cerrado”, “Pantanal”, “Pampa” e “Mata Atlântica”, assim chamadas para ressaltar a questão ecológica. Havia trabalhos por regional, por proximidade de regionais e por temas específicos de acordo com a escolha de cada um. Ao longo do evento também ocorreram celebrações ecumênicas e inter-religiosas, a Feira da Economia Solidária, shows musicais, com a presença de Zé Vicente, e a Romaria dos Mártires e Defensores da Vida, que foi muito emocionante.

Foto: cebsdobrasil.com.br

Com um número muito significante, 48 bispos marcaram presença no 15º Intereclesial, transitando entre a multidão sem muita cerimônia ou embaraços, pelo contrário, muito fraternos com os demais participantes. O mesmo podemos dizer dos padres e religiosas e religiosos que acompanharam as caravanas. Alguns até mais expansivos que os leigos nas suas expressões de alegria e felicidade por estar entre os pequenos e simples. Os bispos em sua nota sobre o Encontro, disseram  “Valorizamos o testemunho de lideranças que, com fé e alegria, dedicam-se ao trabalho de evangelização, que tem como bases fundamentais a centralidade da pessoa de Jesus Cristo” –, mas, também, relatos sobre o cansaço decorrente das dificuldades enfrentadas para evangelizar – “Essas dificuldades trazem reflexos das várias eclesiologias e dos vários ambientes de nossa sociedade, quase sempre marcada pela urbanização desmedida, polarização política, pelo aumento da desigualdade, do individualismo, do preconceito e do consumismo”.

Próxima semana completo o artigo. Paz e Bem! Por: Frei Francisco Paixão, OFM

 

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