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Mensagem do Santo Padre Francisco para o LXI Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Chamados a semear a esperança e a construir a paz

Queridos irmãos e irmãs!

O Dia Mundial de Oração pelas Vocações convida-nos, cada ano, a considerar o precioso dom da chamada que o Senhor dirige a cada um de nós, seu povo fiel em caminho, pois dá-nos a possibilidade de tomar parte no seu projeto de amor e encarnar a beleza do Evangelho nos diferentes estados de vida. A escuta da chamada divina, longe de ser um dever imposto de fora – talvez em nome de um ideal religioso –, é antes o modo mais seguro que temos de alimentar o desejo de felicidade que trazemos no nosso íntimo: a nossa vida realiza-se e torna-se plena quando descobrimos quem somos, as qualidades que temos e o campo onde é possível pô-las a render, quando descobrimos que estrada podemos percorrer para nos tornarmos sinal e instrumento de amor, acolhimento, beleza e paz nos contextos onde vivemos.

Assim, este Dia proporciona-nos sempre uma boa ocasião para recordar, com gratidão, diante do Senhor o compromisso fiel, quotidiano e muitas vezes escondido daqueles que abraçaram uma vocação que envolve toda a sua vida. Penso nas mães e nos pais que não olham primeiro para si mesmos, nem seguem a tendência dum estilo superficial, mas organizam a sua existência cuidando das relações com amor e gratuidade, abrindo-se ao dom da vida e pondo-se ao serviço dos filhos e seu crescimento. Penso em todos aqueles que realizam, dedicadamente e em espírito de colaboração, o seu trabalho; naqueles que, em diferentes campos e de vários modos, se empenham por construir um mundo mais justo, uma economia mais solidária, uma política mais equitativa, uma sociedade mais humana, isto é, em todos os homens e mulheres de boa vontade que se dedicam ao bem comum. Penso nas pessoas consagradas, que oferecem a sua existência ao Senhor quer no silêncio da oração quer na atividade apostólica, às vezes na linha de vanguarda e sem poupar energias, servindo com criatividade o seu carisma e colocando-o à disposição de quantos encontram. E penso naqueles que acolheram a chamada ao sacerdócio ordenado, se dedicam ao anúncio do Evangelho, repartem a sua vida – juntamente com o Pão Eucarístico – pelos irmãos, semeiam esperança e mostram a todos a beleza do Reino de Deus.

Aos jovens, especialmente a quantos se sentem distantes ou olham a Igreja com desconfiança, gostaria de dizer: deixai-vos fascinar por Jesus, dirigi-Lhe as vossas perguntas importantes, através das páginas do Evangelho, deixai-vos desinquietar pela sua presença que sempre nos coloca, de forma benfazeja, em crise. Ele respeita mais do que ninguém a nossa liberdade, não se impõe, mas propõe-se: dai-Lhe espaço e encontrareis a vossa felicidade no seu seguimento e, se vê-la pedir, na entrega total a Ele.

Um povo em caminho

A polifonia dos carismas e das vocações, que a Comunidade Cristã reconhece e acompanha, ajuda-nos a compreender plenamente a nossa identidade de cristãos: como povo de Deus em caminho pelas estradas do mundo, animados pelo Espírito Santo e inseridos como pedras vivas no Corpo de Cristo, cada um de nós descobre-se membro duma grande família, filho do Pai e irmão e irmã de seus semelhantes. Não somos ilhas fechadas em si mesmas, mas partes do todo. Por isso, o Dia Mundial de Oração pelas Vocações traz gravada a marca da sinodalidade: há muitos carismas e somos chamados a escutar-nos reciprocamente e a caminhar juntos para os descobrir discernindo aquilo a que nos chama o Espírito para o bem de todos.

Além disso, no momento histórico presente, o caminho comum conduz-nos para o Ano Jubilar de 2025. Caminhamos como peregrinos de esperança rumo ao Ano Santo, para, na descoberta da própria vocação e pondo em relação os diversos dons do Espírito, podermos ser no mundo portadores e testemunhas do sonho de Jesus: formar uma só família, unida no amor de Deus e interligada pelo vínculo da caridade, da partilha e da fraternidade.

Este Dia é dedicado de modo particular à oração para implorar do Pai o dom de santas vocações para a edificação do seu Reino: «Rogai ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2). E, como sabemos, a oração é feita mais de escuta que de palavras dirigidas a Deus. O Senhor fala ao nosso coração e quer encontrá-lo aberto, sincero e generoso. A sua Palavra fez-Se carne em Jesus Cristo, que nos revela e comunica toda a vontade do Pai. Neste ano de 2024, dedicado precisamente à oração como preparação para o Jubileu, somos chamados a descobrir o dom inestimável de poder dialogar com o Senhor, de coração a coração, tornando-nos assim peregrinos de esperança, porque a oração é a primeira força da esperança. Tu rezas e a esperança cresce, avança. Diria que a oração abre a porta à esperança. A esperança existe, mas com a minha oração abro a porta (Francisco, Catequese, 20/V/2020).

Peregrinos de esperança e construtores de paz

Mas que significa ser peregrinos? Quem empreende uma peregrinação procura, antes de mais nada, ter clara a meta, e conserva-a sempre no coração e na mente. Mas, para atingir esse destino, é preciso ao mesmo tempo concentrar-se no passo presente: para o realizar, é necessário estar leve, despojar-se dos pesos inúteis, levar consigo apenas o essencial e esforçar-se cada dia por que o cansaço, o medo, a incerteza e a escuridão não bloqueiem o caminho iniciado. Por isso ser peregrino significa partir todos os dias, recomeçar sempre, reencontrar o entusiasmo e a força de percorrer as várias etapas do percurso que, apesar das fadigas e dificuldades, sempre abrem diante de nós novos horizontes e panoramas desconhecidos.

Este é precisamente o sentido da peregrinação cristã: estamos em caminho à descoberta do amor de Deus e, ao mesmo tempo, à descoberta de nós mesmos, através duma viagem interior, mas sempre estimulados pela multiplicidade das relações. Portanto, peregrinos porque chamados: chamados a amar a Deus e a amar-nos uns aos outros. Assim, o nosso caminho sobre esta terra nunca se reduz a uma labuta sem objetivo nem a um vaguear sem meta; pelo contrário, cada dia, respondendo à nossa chamada, procuramos realizar os passos possíveis rumo a um mundo novo, onde se viva em paz, na justiça e no amor. Somos peregrinos de esperança, porque tendemos para um futuro melhor e empenhamo-nos na sua construção ao longo do caminho.

Tal é, em última análise, a finalidade de cada vocação: tornar-se homens e mulheres de esperança. Como indivíduos e como comunidade, na variedade dos carismas e ministérios, todos somos chamados a dar corpo e coração à esperança do Evangelho neste mundo marcado por desafios épocas: o avanço ameaçador duma terceira guerra mundial aos pedaços, as multidões de migrantes que fogem da sua terra à procura dum futuro melhor, o aumento constante dos pobres, o perigo de comprometer irreversivelmente a saúde do nosso planeta. E a tudo isto vêm ainda juntar-se as dificuldades que encontramos diariamente com o risco de nos precipitar, às vezes, na resignação ou no derrotismo.

Por isso é decisivo, para nós cristãos, cultivar um olhar cheio de esperança no nosso tempo, para podermos trabalhar frutuosamente respondendo à vocação que nos foi dada ao serviço do Reino de Deus, Reino do amor, de justiça e de paz. Esta esperança – assegura-nos São Paulo – não engana» (Rm 5, 5), porque se trata da promessa que o Senhor Jesus nos fez de permanecer sempre conosco e de nos envolver na obra de redenção que Ele quer realizar no coração de cada pessoa e no coração da criação. Tal esperança encontra o seu centro propulsor na Ressurreição de Cristo, que contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não cedem. Mas também é certo que, no meio da obscuridade, sempre começa a desabrochar algo de novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 276). E o apóstolo Paulo afirma ainda que fomos salvos na esperança (cf. Rm 8, 24). A redenção realizada na Páscoa dá a esperança, uma esperança certa, fiável, com a qual podemos enfrentar os desafios do presente.

Então ser peregrinos de esperança e construtores de paz significa fundar a própria existência sobre a rocha da ressurreição de Cristo, sabendo que todos os nossos compromissos, na vocação que abraçamos e levamos por diante, não caiem no vazio. Apesar dos fracassos e retrocessos, o bem que semeamos cresce de modo silencioso e nada pode separar-nos da meta última: o encontro com Cristo e a alegria de viver na fraternidade entre nós por toda a eternidade. Esta vocação final, devemos antecipá-la cada dia: a relação de amor com Deus e com os irmãos e irmãs começa desde agora a realizar o sonho de Deus, o sonho da unidade, da paz e da fraternidade. Que ninguém se sinta excluído desta chamada! Cada um de nós, no seu lugar próprio, no seu estado de vida, pode ser, com a ajuda do Espírito Santo, um semeador de esperança e de paz.

A coragem de se envolver

Por tudo isso digo mais uma vez, como durante a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa: rise up – levantai-vos! Despertemos do sono, saiamos da indiferença, abramos as grades da prisão em que por vezes nos encerramos, para que possa cada um de nós descobrir a própria vocação na Igreja e no mundo e tornar-se peregrino de esperança e artífice de paz! Apaixonemo-nos pela vida e comprometamo-nos no cuidado amoroso daqueles que vivem ao nosso lado e do ambiente que habitamos. Repito-vos: tende a coragem de vos envolver! Padre Oreste Benzi, apóstolo incansável da caridade, sempre da parte dos últimos e indefesos, repetia que ninguém é tão pobre que não tenha algo para dar, e ninguém é tão rico que não precise de receber alguma coisa.

Levantemo-nos, pois, e ponhamo-nos a caminho como peregrinos de esperança, para que também nós, como fez Maria com Santa Isabel, possamos comunicar boas-novas de alegria, gerar vida nova e ser artesãos de fraternidade e de paz.

Roma, São João de Latrão, no IV Domingo de Páscoa, 21 de abril de 2024.

FRANCISCO

Fonte: vatcan.va

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3º Domingo da Páscoa

“Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos” (Lc 24, 40-41). Os apóstolos estavam vendo Jesus, mas não podiam acreditar na força da vida sobre a morte e que de fato Jesus ressuscitou. Podemos dizer que estavam no escuro, não compreendiam, eram testemunhas oculares, mas não chegaram ao entendimento. As dúvidas mostram que não somente foi difícil acreditar, mas também enfrentaram muitas dificuldades em percorrer os caminhos da fé. Apesar do fato que estavam experimentando a presença de Jesus, foi difícil acreditar, pois para ter fé na ressurreição é preciso passar por um processo.

O evangelho de hoje é um relato deste processo. Primeiro, o reconhecimento de Jesus acontece na partilha do pão. Os discípulos de Emaús recordaram sua experiência com Jesus ressuscitado e que cada vez que repete a ação de Jesus, é possível reconhecê-lo. O reconhecimento acontece também na saudação da paz, pois o caminho de Jesus é justamente o caminho da justiça, e a paz é o fruto da justiça. Outros sinais que Jesus apresenta são o tocar e comer: “Então Jesus disse: Tendes alguma coisa para comer? Deram-lhe um pedaço de peixe assado” (Lc 24, 41b-42). O reconhecimento de Jesus acontece também no ensinamento. Jesus abriu a inteligência dos discípulos e explicou a Escritura: “Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras” (Lc 24, 45).   Jesus está presente na reflexão da palavra e revela o sentido profundo das Escrituras. Finalmente, reconhecem Jesus no testemunho na comunidade. É a comunidade que dá continuidade à missão que significa anunciar o arrependimento, a conversão e o perdão dos pecados.

Isto se confirma na pregação de São Pedro: “Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas” (At 3, 15).  O testemunho da comunidade não é somente pela palavra anunciada, mas também pelas ações assumidas na missão como o compromisso com o Ressuscitado.

São estes os passos que a comunidade fez para crer na ressurreição.

Estes sinais manifestados pela comunidade são importantes, pois hoje também somos desafiados a fazer os mesmos passos em comunidade. Por isso, nossa participação na Eucaristia é muito importante, pois nos reunimos na assembleia dos fiéis, partilhamos o pão e reconhecemos Jesus presente. A paz de Jesus é também nosso compromisso de trabalhar pela paz para construirmos um mundo mais justo e testemunharmos a fé que temos em Jesus ressuscitado. Ao pedir algo para comer, Jesus mostra o valor do corpo e nos lembra que é preciso valorizar a vida e o respeito pelo corpo. Assim, mostramos a importância e dignidade da vida de todos e a morte não tem a última palavra. Outro sinal fundamental é o estudo da palavra onde descobrimos que Jesus continua nos abrindo a inteligência não só para acreditar, mas também pôr em prática o que acreditamos. A palavra ilumina nossa vida e nos ajuda a descobrir os caminhos de Deus na história. Finalmente, outro sinal da ressurreição é o testemunho da vida em comunidade onde também recebemos a missão de anunciar Jesus ressuscitado. É na missão que fortificamos nossa fé.

Crer não é simplesmente superar a dúvida, mas assumir a mesma missão de sermos testemunhas do Cristo Ressuscitado através das nossas palavras e ações. Que a nossa vida em comunidade hoje também seja um caminho onde descobrimos que Jesus está vivo e continua nos animando para viver de acordo com seu ensinamento.

Por: Frei Gregório Joeright, OFM

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Inauguração da nova fraternidade de Cristo Libertador, em Santarém

foto: Frei Jacó Paiva

Na segunda-feira, 08 de abril, o recreio dos frades foi na Casa Franciscana Cristo Libertador. A nova fraternidade foi erigida em fevereiro de 2024, e já confirmada pelo Ministro Geral da Ordem, Frei Massimo Fusarelli. Esta é composta pelos seguintes confrades: Frei Elder Almeida, Frei Valcy Assunção, Frei João Messias e Frei Vagner Ferreira.

A Casa Franciscana de Cristo Libertador já tem uma longa história de presença dos frades da Custódia São Benedito da Amazônia, desde os tempos em que o Bairro da Interventoria estava ainda se formando como nova área urbana periférica da cidade de Santarém, desde a década de 1970. Vários confrades residiram ali, e atendiam pastoralmente grande parte da zona lesta da cidade, em crescimento contínuo, procurando atender à demanda de organização de novas comunidades e construções de novas Capelas e estruturas de apoio para as comunidades de fé. Um grande trabalho pastoral ao longo dos anos foi a implementação, organização, animação e formação de lideranças das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base). A casa acolheu jovens vocacionados, aspirantes e postulantes franciscanos ao longo dos anos. Pastoralmente, tornou-se a referência para todas as comunidades da Paróquia de Cristo Libertador.

Foto: Frei Vagner Sena, OFM

Como fraternidade custodial, nos sentimos felizes por esta nova fraternidade e agradecidos aos confrades que aceitaram o desafio de refundar esta Casa Franciscana, dedicando-se todos eles ao acompanhamento pastoral das três paroquias franciscanas que a nossa Custódia assume como serviço à evangelização, na Arquidiocese de Santarém.

Deus abençoe esta nova fraternidade! Dê saúde, disposição, paz e muitas alegrias aos confrades, junto com o sucesso total em todas as suas ações em prol da evangelização, como fraternidade contemplativa em missão na cidade.

Foto: Frei Jacó

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Uma Amizade Franciscana e Carmelita na História da Amazônia

Dom Wilmar com os frades da Custódia na inauguração da Fraternidade Cristo Libertador

Uma amizade entre franciscanos e carmelitas está sendo semeada ao longo dos anos no chão da Amazônia. Dom Wilmar Santin, bispo da Prelazia de Itaituba (PA), passou por cirurgias nos olhos no final de março e início de abril. Durante esse período de operações e recuperação pós-cirúrgica, ele foi hospedado no Convento São Francisco, sede da Custódia Franciscana São Benedito da Amazônia. Enquanto esteve lá, tivemos a oportunidade de conversar com ele sobre sua amizade com os frades da Custódia.

Dom Wilmar é natural de Nova Londrina, Paraná, mas antes de ser nomeado bispo, já havia trabalhado no norte do Brasil, especificamente em Manaus (AM). Quando o Papa Bento XVI o nomeou para liderar a Prelazia de Itaituba, ele inicialmente questionou a decisão, pois não estava familiarizado com a região.

“Eu estava trabalhando em Manaus e não conhecia e nunca tinha ouvido falar em Itaituba. Quando fui comunicado sobre a nomeação, eu levei um susto e perguntei: onde que fica Itaituba? E me disseram: no Pará, no Rio Tapajós. Fiz outro questionamento: Qual é o motivo que estão me mandando para um lugar que nunca ouvi falar? E me disseram: Você já não foi como missionário para Manaus, pois agora vá como missionário para o Pará, para Prelazia de Itaituba”, lembrou o bispo.

A relação de Dom Wilmar com os frades da Custódia começou antes mesmo de sua ordenação episcopal.

“Logo depois da minha nomeação, recebi uma carta convite do Frei Paixão, para participar dos festejos do centenário da Missão São Francisco, no Rio Cururu, que pertence à Prelazia de Itaituba. Na semana seguinte à Páscoa, viajamos junto aos frades para o Rio Cururu para os festejos do centenário. Posso dizer que foi uma aventura, fomos de ônibus de Itaituba a Jacareacanga, o ônibus quebrou. De Jacareacanga até o Rio Cururu foi o dia inteiro, pois chegamos de noite. E eu costumo dizer, que aquela ida ao Rio Cururu, na Missão São Francisco, para participar dos festejos do centenário, foi o meu batismo na Prelazia e a minha ligação com os franciscanos começou de cara”, afirmou Dom Wilmar.

O predecessor do bispo foi Dom Capistrano Francisco Heim, um frade franciscano. Dom Wilmar acompanhava Dom Capistrano nas refeições na Fraternidade dos frades franciscanos da Custódia São Benedito da Amazônia, e esse costume continuou até os dias de hoje.

“Os franciscanos fazem parte da minha história. Meu antecessor, Dom Capistrano, era frade franciscano. Ele tomava café, almoçava e jantava com os frades do Convento e eu ia junto. E continuei a tradição. Estou sempre almoçando e até tomando café com os frades da Fraternidade de Sant’Ana. Nossa relação é boa, são bons colaboradores, nos entendemos e queremos sempre manter assim”, ressaltou o bispo da Prelazia de Itaituba.

Sempre que passa ou vem a Santarém, Dom Wilmar se hospeda no Convento São Francisco, pela acolhida que sempre recebe.

“Eu tinha duas opções de hospedagens. Escolhi o convento, pelo convite feito pelo Frei Edilson e por sempre me acolherem da melhor forma possível. Mesmo dessa vez que precisei ficar um pouco mais de tempo, mas o tratamento foi igual de quando eu faço apenas passagens rápidas. São frades acolhedores, gosto de como vivem em fraternidade e sempre me sinto em casa. Nossa boa relação faz com que nos acolhemos e nos ajudemos uns aos outros, o que é importante para um bom desenvolvimento de relação e serviços”, relatou.

Dom Wilmar também compartilhou um pouco sobre sua jornada para se tornar um frade carmelita.

“Eu digo que é um negócio fantástico. Eu fui batizado por um Padre Carmelita, e desde então, algo em mim se conectou com essa Ordem. Embora tenha enfrentado desafios em minha juventude, o destino me levou ao Seminário dos Carmelitas de Paranavaí. Algumas pessoas duvidavam se eu seguiria adiante, mas aqui estou!”, concluiu o bispo.

Dom Wilmar na Missão São Francisco

Sua visão sobre a responsabilidade de um bispo é clara e inspiradora:

“Minha principal responsabilidade é ser um bom pastor. Levar a palavra de Deus, levar a mensagem da alegria do evangelho, unir o povo, dar de comer o pão da palavra, o pão da eucaristia. Outra coisa que trago do meu pai é essa identidade bem católica. Gosto de defender a igreja, o Papa em qualquer situação. Outra responsabilidade é pregar a palavra de Deus contra esse fanatismo atual, essa polarização política, onde as pessoas estão se deixando levar, não pela fé, mas pela ideologia do partido que eles acreditam. E nosso maior desafio é levar uma mensagem de paz e iluminar tudo com a palavra de Deus, para que possamos nos transformar para vivermos mais a paz, mais a alegria e sejamos verdadeiros discípulos e missionários de Jesus Cristo”, concluiu Dom Wilmar Santin.

 

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Reunião da Família Franciscana do Brasil

Foto: Coordenação da Família Franciscana do Brasil

A Coordenação da Família Franciscana do Brasil, Regional Amazonas e Roraima esteve reunida na terça-feira, 9 de abril, para tratar assuntos de interesse deste Regional. Durante a reunião foram tratados assuntos como: a programação do ano de 2024, a Páscoa da família Franciscana, comemoração dos estigmas de São Francisco, participação em eventos como o V Capítulo das Esteiras que vai ocorrer em julho em Santarém, participação na Semana Clariana em agosto entre outros. Esta Coordenação tem uma programação de reuniões mensais para que assim passa promover cada vez mais a integração cada vez maior da Família Franciscana tanto do Amazonas como de Roraima e assim possamos a exemplo de São Francisco levar os carisma de nosso Pai Seráfico a mais e mais pessoas.

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Nota de falecimento: Frei Hermano José Schwartbeck, OFM

Foto: Arquivo Custodial

Na tarde deste domingo, 07 de abril de 2024, recebemos a notícia do falecimento de nosso confrade Frei Hermano Schwartbeck. Desde o ano de 2009, Frei Hermano estava de volta na sua província de origem, a Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, presente no Nordeste brasileiro, do Ceará até a Bahia.  Em 2024, Frei Hermano completaria 82 anos, grande parte dos quais foi vivida entre a Prelazia de Óbidos (hoje Diocese) e a Diocese de Santarém (hoje Arquidiocese).  

 Filho de Bernhard Schwartbeck e Hedwig Hulsbusch, nasceu em Gronau, Alemanha, em 29 de setembro de 1942, foi batizado em Gronau, Diocese de Munster, entrou na Ordem dos Frades Menores em 28 de abril de 1963, recebido no Noviciado pelo Ministro Provincial Frei Serafim Prein, OFM. Emitiu sua primeira profissão na Ordem dos Frades Menores pelas mãos do mesmo Frei Serafim, em 03 de maio de 1964. Em 31 de julho de 1969, emitiu sua profissão solene pelas mãos do Ministro Provincial Frei Martinho Limper, OFM. Em 1969, foi ordenado diácono, em Salvador, Bahia, e em 20 de dezembro de 1969, foi ordenado presbítero pelas mãos de Dom Eugênio Sales. Frei Hermano iniciou o seu ministério no Nordeste brasileiro, passando por vários lugares da Província Santo Antônio. A partir de 1985, Frei Hermano foi transferido para Alenquer, na então Prelazia de Óbidos. De 1985 até 1997, o confrade atuou em Alenquer, como vigário cooperador e pároco, bem como guardião da fraternidade local.  

 Quando foi erigida a nova entidade franciscana na Amazônia, a então Vice-Província São Benedito da Amazônia, Frei Hermano não aderiu à nova entidade, mas optou por continuar como missionário na região, na condição de frade hóspede na nova entidade. Portanto, a partir de 1997, ele entrou na escala de transferências da Vice-Província. Em março daquele ano, Frei Hermano foi transferido de Alenquer para Santarém, residindo no Convento São Francisco e atuando pastoralmente como vigário paroquial em Cambuquira, Ipanema, Matinha e Nossa Senhora de Nazaré, na periferia de Santarém. Além deste amplo leque de atividades pastorais, o confrade foi capelão de hospital e assistente espiritual da Ordem Franciscana Secular (OFS), a nível local e regional. Frei Hermano deixou marcas indeléveis nos corações e mentes de muitas pessoas por onde passou e atuou no exercício de suas missões. Em sua simplicidade, apesar das dificuldades de se comunicar pela palavra, este irmão marcou positivamente a vida de muitas pessoas, em muitos ambientes eclesiais.  Deixa um testemunho edificante por sua autenticidade, pobreza evangélica, numa existência totalmente despojada de qualquer ambição pessoal.  

 Entre fevereiro de 2002 e o ano de 2007, Frei Hermano esteve na Casa Franciscana Maíra, continuando o seu ministério como assistente da OFS, assumindo o Comissariado da Terra Santa e como vigário paroquial. A partir de 2003, fez parte também do corpo de formadores da fraternidade local, como vice-mestre dos postulantes. Em 2008, foi transferido para Óbidos, onde assumiu as funções de vigário paroquial e assistente da OFS e JUFRA.  Em 2009, retornou à sua Província de origem, passando a residir na Casa Nossa Senhora Rainha da Paz, que funcionava como procuradoria da Missão Tyriós. A Província de Santo Antônio mantinha uma fraternidade missionária entre os Tyriós e Frei Hermano trabalhou em Belém, por alguns anos, dando suporte aos confrades daquela missão, fazendo as compras de provisões e providenciando tudo o que se fazia necessário para apoiar os confrades que ficavam grande parte do tempo isolados do contato com o mundo exterior à missão. De todas estas missões que ele desenvolveu, este confrade revelava uma enorme capacidade de serviço, desempenhado sempre de forma muito humilde.  

 Nos encontros da Vice-Província (depois Custódia São Benedito da Amazônia), Frei Hermano incomodava por sua insistência na necessidade de rezar o ofício. E mesmo que grande parte dos frades não dessem atenção a sua insistência, ele estava sempre pontualmente na capela para rezar, independentemente de ter um grupo junto ou não. Era um homem de oração, sem dúvida. E nunca deixava de insistir na necessidade de rezar mais.  Penso que se destaca muito na pessoa dele a busca de autenticidade na vida consagrada franciscana, na vivência da pobreza, castidade e obediência, nestes tempos de relativismo em todas as dimensões da vida, também da vida consagrada.  

 Sei que poderia colher muitos belos testemunhos (e certamente críticas também de alguns) sobre a vida de Frei Hermano aqui entre nós, no tempo que passou em nossa região. Ultimamente, surpreenderam-me algumas lembranças excelentes do nosso confrade que agora descansa em paz: em uma visita com amigos à casa paroquial da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, construída nos tempos do pastoreio do Frei Hermano, o pároco Pe. Ademar ressaltou a importância do legado deixado pelo confrade naquela área pastoral da cidade de Santarém, especialmente na construção da infraestrutura da paróquia. Outra lembrança foi do Frei Hermano como Sacerdote Conselheiro Espiritual das Equipes de Nossa Senhora, um movimento eclesial de espiritualidade conjugal. Ouvi uma referência a um retiro que ele pregou às ENS, em Santarém, lembrado até hoje por casais que estiveram naquele retiro. Eu nem sabia que ele também tinha sido Conselheiro Espiritual de Equipes de Nossa Senhora.  

 A concluir este pequeno testemunho sobre a vida e missão do Frei Hermano, vem-me à mente a passagem do apóstolo Paulo que tem um tom de testamento: “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé”. (2Tim 4, 7).   

 Frei Hermano vive nos corações de muitas pessoas que o guardam com carinho na memória. Frei Hermano vive em Deus! Descanse em Paz, irmão!  

  Frei Edilson Rocha, OFM  

Santarém, 8 de abril de 2024. 

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2º Domingo da Páscoa

“Quem não está em comunidade não vê o Senhor”. Hoje é o domingo da Divina Misericórdia e, ao contemplar o rosto misericordioso de Deus na pessoa de Jesus, celebramos nosso compromisso de fé em comunidade.

A primeira leitura do livro dos Atos é o retrato da primeira comunidade cristã que vivia a fé em Jesus ressuscitado. Nesta comunidade, os cristãos desde o início, entenderam que a Igreja é uma assembleia convocada pelo Senhor com um só objetivo de viver unidos: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4, 32). Existia a partilha dos bens, pois não havia necessitado entre eles e através de grandes sinais davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Eram perseverantes no ensino dos apóstolos e a catequese era fundamental para introduzir as pessoas na vivência da fé em comunhão. Davam grande testemunho pela vida e compromisso em comunidade e pelo seguimento do ensinamento de Jesus. Era uma comunidade de irmãos e irmãs, reunida ao redor de Cristo, animada pelo Espírito com a missão de testemunhar Jesus. Compreendiam que a comunidade é o lugar da vivência da fé e do testemunho.

No evangelho, os discípulos estavam reunidos de portas fechadas no domingo, o primeiro dia da semana. Este é o dia em que a comunidade se reúne para celebrar, para escutar a palavra proclamada e partilhar o pão, pois Jesus ressuscitou. Jesus apareceu no meio deles e desejou a paz. Ele venceu as portas trancadas e ofereceu a paz para aqueles que acreditam e querem seguir seu caminho. Depois, Jesus enviou os discípulos com a força do Espírito. É este Espírito que renova todas as coisas e dá a força na realização da missão de testemunhar Jesus e viver em comunidade. Pela vivência em comunidade, todos são convocados a receber o perdão dos pecados e a perdoar. Assim se manifesta a misericórdia de Deus e a comunidade, na escuta e na prática da Palavra, realiza grandes sinais da presença do Ressuscitado entre eles.

Este testemunho dos primeiros cristãos em comunidade é um grande exemplo para nossas comunidades hoje. É importante lembrar que a nova paróquia tem que ser uma comunidade de comunidades. É preciso reforçar as nossas pequenas comunidades onde vivemos o compromisso do batismo. Por isso, em comunidade devemos imitar as primeiras comunidades, pois o ideal descrito por São Lucas nos Atos quer recordar o que é essencial no compromisso comunitário e para a vivência da fé.

Para imitar os primeiros cristãos, uma primeira coisa essencial é a catequese de inspiração catecumenal. É esta catequese que nos leva a viver a fé cristã nos cinco passos: encontro com Jesus, a conversão, o discipulado, a comunhão fraterna e a missão.

Uma segunda coisa é a partilha dos bens. É através de ações concretas de solidariedade e compaixão que podemos manifestar nosso compromisso comunitário em favor dos menos favorecidos. Celebrar o domingo da Misericórdia Divina é também praticar os atos de misericórdia como sinal da presença de Cristo ressuscitado entre nós. Aqui podemos lembrar que a opção pelo dízimo é uma ação que nos faz lembrar da primeira comunidade cristã como “a multidão de fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4,32).

Num mundo de violência, guerra, intolerância e ódio, precisamos também dar testemunho do Cristo ressuscitado através do perdão e pela vivência da paz. Ainda não podemos esquecer da importância da celebração da Eucaristia. No primeiro dia da semana, os cristãos recordavam a ressurreição e se reuniam para recordar os mistérios da fé pela partilha do pão e pela escuta da Palavra.

As portas estavam fechadas e São Tomé não estava presente, assim não viu Jesus e não acreditou. Faltou a ação da comunidade e por isso não acreditou. Se nós não participamos na comunidade não vamos ter o encontro com Jesus e com os irmãos, não vamos acreditar. Acreditar não é só dizer, mas manifestar a fé pela vida e pelo testemunho. Queremos sair da sala de portas trancadas, pois Jesus nos diz: “Não seja incrédulo, mas fiel… felizes os que creem sem ter visto”. Quem não vive em comunidade não vê o Senhor!

Por: Frei Gregório Joeright, OFM

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Reunião da Rede Franciscana de Paróquias: Fortalecendo Laços e Planejando Futuro

Foto: Rede Franciscana de Paróquias

Hoje, dia 2 de abril, a Rede Franciscana de Paróquias teve sua segunda reunião anual, marcando um momento de união e colaboração entre representantes das paróquias de São Francisco de Monte Alegre e das Paróquias Santíssimo, São Sebastião e Cristo Libertador de Santarém. O encontro ocorreu na acolhedora paróquia do Santíssimo.

Durante a reunião, os participantes puderam avaliar e dar continuidade aos planejamentos das atividades da Rede, destacando-se a iminente realização da Escola de Formação de Discípulo Missionário, prevista para iniciar suas atividades no segundo semestre deste ano. Além disso, temas como círculos bíblicos, cursos de formação bíblica, o projeto Natal de Greccio e o Capítulo das Esteiras foram discutidos e encaminhados.

Foto: Rede Franciscana de Paróquias

A Rede Franciscana de Paróquias se propõe a ser mais do que uma mera organização, mas sim uma oportunidade para que as paróquias franciscanas trabalhem em comunhão, fortalecendo assim sua missão e impacto na comunidade. A próxima reunião está marcada para o dia 18 de outubro, em Monte Alegre, prometendo ser mais um momento de crescimento e colaboração mútua.

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Encontro Vocacional Franciscano em Manaus

Foto: Fraternidade São Boaventura

O passo inicial da caminhada com os jovens vocacionados na Fraternidade São Boaventura em Manaus, foi marcada com o encontro realizado através do esforço de toda a fraternidade no Domingo da Ressurreição do Senhor, último dia do mês de março, no qual vivenciamos a quaresma, culminando com a celebração da Páscoa de Jesus Cristo.

Neste “dia que o Senhor fez para nós”, Ele nos chama a acendermos em nós a chama do amor de Deus que nos convoca a vocação franciscana que nos torna peregrinos e forasteiros neste mundo, como nosso Pai Seráfico, São Francisco.

Ao iniciarmos este encontro com a Missa junto a juventude da Paróquia Santo Antônio, na Comunidade Sagrada Família, com a mensagem do nosso pároco Frei Haroldo Pimentel, OFM, lançando um desafio à juventude para um amar e ser amado a exemplo de Cristo e o apóstolo João, o discípulo amado, que se entregou por amor de seus amigos e perseverou até o fim. Prosseguimos na Fraternidade São Boaventura com um café da manhã em fraternidade e muito acolhedor. Em seguida, na sala da fraternidade em espírito de oração e reflexão, nos reunimos em uma conversa dialogada de autoconhecimento e discernimento acerca do chamado vocacional, a fim de despertar os jovens para um início da caminhada daqueles que receberam o desafio de se tornarem peregrinos e estrangeiros como irmãos de São Francisco na Custódia São Benedito da Amazônia, que foi apresentada aos jovens, com um cunho histórico da itinerância dos missionários que por ela já passaram, pelo Frei Felip.

Foto: Fraternidade São Boaventura

Nossa convivência foi se embelezando em torno da mesa da fraternidade para o almoço de Páscoa preparado com muito carinho, pelo Frei Jailson e Frei Leandro. Nossa tarde foi de lazer e muita alegria no espaço da própria fraternidade onde demos boas risadas, tomamos banho de piscina e comemos muito chocolate. Nossa programação foi se encerrando ao fim da tarde com o retorno dos jovens para suas casas.

Ao convivermos com os jovens nos tornamos mais irmãos uns dos outros, pois, seus corações estão cheios de anseios e anseios são vidas, vida em intensidade, conforme dizia Frei Haroldo em sua homilia, e é exatamente no terreno fértil da vida que, pela oração e pela fraternidade se descobre a vontade de Deus, a vocação franciscana.

Paz e bem!

Feliz Páscoa da Ressurreição!

Páscoa 2024

Carta do Ministro Geral para Páscoa 2024

Foto: ofm.org

“Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, ­cará só; mas se morrer, produzirá muito fruto” Jo 12,24

Carta do Ministro geral Na Páscoa do mundo

Aos Frades da Ordem

Às Irmãs Clarissas e Concepcionistas

Às Irmãs Franciscanas ­liadas à Ordem

Às leigas e leigos franciscanos

Queridos irmãos e irmãs,

que o Senhor vos dê paz!

Gostaria de vos dirigir estes votos para a Páscoa de 2024, no V Domingo da Quaresma, quando o Evangelho de João anuncia: “Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, ­cará só; mas se morrer, produzirá muito fruto. Quem ama sua vida vai perdê-la; mas quem não se apega à vida neste mundo vai guardá-la para a vida eterna” (Jo 12,24-25).

Olhemos juntos para este entrelaçamento de morte e vida, na memória dos 800 anos dos estigmas de Francisco, sinais misteriosos da sua amorosa comunhão com Cristo.

Centrado em torno da cruz

“Todo o empenho do homem de Deus, quer em público quer em particular, dirigia-se para a cruz do Senhor” (3Cel II,2).

A cruz é a chave para entrar no coração de Francisco. É decisiva para quem quer abraçar esta forma de vida (RnB I,3); é o coração de ação de graças ao Pai (RnB XXIII,3); é o motivo da oração dos frades nas igrejas (Test 5); é a nossa única razão de glória (Ad V); é a «Perfeita alegria». É por isso que Francisco nos pergunta com força:

“Erguei vossos corpos como oferenda e carregai sobre os ombros a sua santa cruz e segui seus santíssimos mandamentos até ao ­m” (OP, Sl VII,8).

Clara está no mesmo seguimento:

“Veja como por você Ele se fez desprezível e siga-o, sendo desprezível por Ele neste mundo. Com o desejo de imitá-lo, mui nobre rainha, olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belo entre os ­filhos dos homens, feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz” (2In 19-20).

Seguir Cristo na sua «baixeza humilhada» é o centro do apelo de Clara e das suas irmãs, que nos permite reconhecer o de Francisco na sua radicalidade.

Celebrar a Páscoa da morte e da ressurreição neste ano dedicado aos estigmas leva-nos então a nos centralizarmos novamente, indivíduos e fraternidades, em torno da cruz gloriosa do Senhor.

Necessitamos urgentemente dela hoje para responder ao dom de uma vida franciscana bela e capaz de fascinar, não arrastada e desligada. “O Espírito do Senhor e seu santo modo de operar” (RB X,9) impele-nos incansavelmente a atravessar e a vencer os medos e os pecados que nos bloqueiam e nos impulsionam a preservar-nos.

Perguntemo-nos como redescobrir hoje o encanto necessário para perder a vida no caminho da cruz e da ressurreição de Jesus e gastá-la na doação generosa de nós mesmos.

Que o Espírito Criador infunda em nós a audácia e a paixão para encontrar hoje os caminhos e os meios, mesmo novos, para viver como irmãos, irmãs e menores, contemplativos, na obediência, sem nada de próprio e na castidade, peregrinos na missão entre e com os pobres.

Alegria e compaixão

No Monte Alverne, como escreve São Boaventura, “alegrava-se no aspecto gracioso com que percebia que era olhado por Cristo sob a forma de Sera­fim, mas a crucifi­xão traspassava a sua alma com a espada de compassiva dor” (LM XIII,3,6).

Francisco experimenta alegria e compaixão no encontro com o Senhor, sereno enquanto está preso no lenho. Lembra-nos que a Ressurreição não é o ­nal feliz depois da cruz, porque Cristo aceita voluntariamente entrar no abismo da morte, entrega a sua vida ao Pai e ressuscita no próprio ato de morrer!

É no Espírito que o poder da ressurreição passa pelas pessoas e pela criação de diferentes maneiras. Aqui estão as in­finitas Páscoas do mundo, aqueles sinais de vida e de morte em que o Espírito do Cristo Vivo está presente e atua incessantemente, muitas vezes contra todas as evidências.

Francisco experimentou uma forma de morte na sua repugnância pelos leprosos, juntamente com a ressurreição no fazer misericórdia. Clara vive esta alegria pascal na relação com as irmãs (cf. TestC 67-70). Ambos provaram que o que é doentio e amargo pode ser convertido em doçura, primícias de uma vida nova. A morte não tem a última palavra!

Nesta Páscoa, como podemos esquecer os muitos sinais de morte e de vida em lugares de guerra, violência, abusos, desigualdade, fome e o grito da nossa casa comum, a criação?

Quantas Páscoas no mundo! Aprendemos a reconhecê-las atraídos por Aquele que é “o Primeiro e o Último, que esteve morto, mas voltou à vida” (Ap 2,8). É um olhar contemplativo que nos ajuda a não ­ficar paralisados diante do mal, mas a tornar-nos, com muitos, criadores de vida ressuscitada!

É com estes sentimentos, queridos irmãos e irmãs, que desejo que «façais a Páscoa», fundados e fi­rmes na fé, inabaláveis na esperança do Evangelho (Cl 1,23), nossa pro­fissão de vida. Permaneçamos próximos daqueles que estão marcados pelas feridas deste tempo, mesmo entre nós.

Permaneçamos próximos dos povos da Terra Santa nesta hora dolorosa, bem como da Ucrânia e de muitos outros.

Acreditamos que neles o Espírito do Senhor deixa que brotos impensáveis de vida nova amadureçam.

Com a bênção de São Francisco, saúdo-vos fraternalmente.

Vosso irmão e servo,

Roma, 17 de março de 2024

V Domingo da Quaresma

Fr. Massimo Fusarelli, ofm

Ministro geral

Fonte: ofm.org