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Ordenação Diaconal do Frei Fábio Vasconcelos

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Viva os povos Indígenas!

O Dia dos Povos Indígenas é uma data comemorada no dia 19 de abril desde 1943. Tem como objetivo celebrar a diversidade das histórias, costumes e culturas dos povos indígenas brasileiros. Neste dia, são realizadas muitas manifestações que ajudam a identificar, essas culturas vivas e a combater preconceitos contra os indígenas.

Mudança de nome

O dia 19 de abril torna-se uma oportunidade para mostrar e reconhecer a importância cultural e ritual dos povos indígenas, além de exigir que os direitos dos povos sejam respeitados. Até 2021, essa data era popularmente conhecida como o “Dia do Índio”, mas essa intitulação foi alterada por meio da lei 14.402, de 2022, pois a mudança do nome da celebração teve como objetivo explicitar a diversidade das culturas dos povos originários.

Muitos indígenas e grupos que atuam em defesa desses povos apontam que o dia 19 de abril é mais uma data para reflexão e luta do que necessariamente de celebração, uma vez que ainda há muito a se avançar nos direitos dos povos originários brasileiros. Um dos órgãos responsáveis pela proteção dos indígenas brasileiros é a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O papel da Funai é garantir os direitos dos povos indígenas, a preservação de suas culturas e identidades.

Tradições Mantidas

Entre importantes tradições deixadas pelos indígenas antepassados e que ainda se mantém viva de geração em geração está a alimentação. A mandioca, por exemplo, é utilizada pelos indígenas praticamente diariamente. Outros alimentos bem conhecidos dos brasileiros e muito utilizados pelos povos são a cana-de-açúcar e o cará. Todos os dias podemos encontrar na mesa dos indígenas, pratos provindos da caça, como a carne e o peixe, além de frutas como o caju e o açaí que fazem parte da forte dieta dos indígenas. As ervas e chás de plantas medicinais continuam sendo crenças de cura muito utilizadas pelas culturas indígenas, como o chá de caju, pó de banana, a massa de mandioca e entre outras.

Uma outra peculiaridade é que existem muitos povos indígenas por todo o Brasil, mas cada um tem sua própria linguagem. E neste dia que é celebrado o dia desses povos, todos os indígenas mostram de alguma forma suas linguagens, seja, cantando, dança, com pinturas e tambor.

Foto: Maribeth Jorieght

Influência indígenas

A influência cultural indígena vai além de contos, costumes, línguas e histórias. Um exemplo é que o artesanato produzido a partir de fibras, palhas, penas, sementes, plantas e do barro, conhecido em diversas partes do mundo, nasceu das mãos das indígenas.

Esse dia é muito lembrado nas escolas. Normalmente é feito uma programação extraordinária nos educandários para a celebração dos povos indígenas. Um dos maiores objetivos das escolas é manter viva as histórias e costumes que identificam os povos indígenas.

Frei Gean Munduruku, OFM

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Ascensão – Ano C

Imagem: Frei Andrei dos Anjos

Amizade é uma das coisas mais bonitas da vida humana. Um amigo é aquele que é capaz de tudo para ajudar o outro: em momentos de dificuldade, manifesta a solidariedade; em momentos de necessidade, vive a partilha; na angústia, sempre pronto para escutar; na ofensa, perdoa e na hora do erro, corrige. O amigo é aquele que está sempre presente na vida do outro.

No início do livro dos Atos, Lucas escreve: “No meu primeiro livro, Ó Teófilo, tratei de tudo que Jesus fez e ensinou…” (At 1, 1).  O primeiro livro de Lucas, o evangelho, fala da vida, missão e ensinamento de Jesus, enquanto o segundo livro de Atos fala da vida dos primeiros cristãos em comunidade e Lucas dedica os dois livros a uma pessoa que se chama Teófilo. Não é uma pessoa em particular, pois a palavra Teófilo significa amigo de Deus. São Lucas dedica a sua obra a todo aquele que quer ser amigo e amiga de Deus.

Mas, se quisermos ser amigos e amigas de Deus, é preciso cultivar a amizade com Ele. Há uma só palavra que podemos usar para resumir como ser amigo e amiga de Deus: testemunho.

Antes de Jesus subir ao céu, disse aos seus apóstolos: “Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até os confins da terra” (At 1, 8). Ser amigo de Deus é dar testemunho e aceitar o convite para seguir o caminho de Jesus, através do compromisso de realizar o projeto de salvação e libertação, pelo qual Jesus se entregou. Este projeto de salvação Jesus passou para as mãos da Igreja, e prometeu a força e a luz do Espírito Santo. Em outras palavras, somos responsáveis de dar testemunho de Jesus em todas as situações e, em comunidade, encarregados de dar continuidade à missão de Jesus.

No Evangelho de hoje, descobrimos como podemos dar testemunho de Jesus. Primeiramente, Jesus abriu a mente dos discípulos, seus amigos, quando ele disse: “Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados… e vós sereis testemunhas de tudo isso” (Lc 24, 46-48). A proposta de Jesus é a salvação para todos os povos e ser testemunha de Jesus é nos abrir para esta nova proposta de amor. A partir deste mandato de ser testemunha, Jesus promete para seus amigos o Espírito Santo, a força do alto para cumprir a missão. Pela força do Espírito nós realizamos a missão e cultivamos a amizade com Jesus. Então, ser amigo e amiga de Deus é dar continuidade à missão de Jesus e testemunhar a presença do ressuscitado pela nossa vida em comunidade.

Para nós hoje, como podemos dar testemunho da nossa fé? Como cultivar a amizade com Deus? Quais as ações que devemos fazer para mostrar que somos amigos de Deus?

Em qualquer amizade é preciso escutar, na escuta aprofundamos nosso conhecimento do outro. Também com Deus é preciso a escuta da sua palavra. Nesta escuta somos assim guiados, corrigidos e orientados.

Na amizade é preciso a honestidade, sinceridade e fidelidade. Com Deus precisamos dar testemunho da nossa vida de fé quando aprendemos a praticar os valores cristãos que Jesus nos ensinou: fidelidade, compreensão, perdão e partilha.

Na amizade precisamos interagir com os outros e ser amigos nas dificuldades e alegrias do dia a dia. Cultivamos amizade com Deus quando nos comprometemos em comunidade enfrentando as diferenças, dificuldades e desafios. É na comunidade onde podemos mostrar a amizade com os irmãos e com Deus, na missão que recebemos da Igreja. Na realização desta missão, fortificamos o amor e servimos os necessitados.

No fim da primeira leitura apareceram dois homens vestidos de branco e falaram: “Homens da Galileia, porque ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus virá do mesmo modo…” (At 1, 11). É Jesus nossa inspiração, e nós, como Igreja, recebemos a mesma missão, não ficar parados, mas dar testemunho da fé sendo amigos e amigas de Deus.

Por: Frei Gregório Joeright, OFM

Referências:

BORTOLINI, Padre José. Roteiros Homiléticos: Anos A, B, C, Festas e Solenidades. Brasil: Paulus Editora, 2014.

COSTA, Padre Antônio Geraldo Dalla. Buscando Novas Águas. Disponível em: https://www.buscandonovasaguas.com/index.php?menu=home. Acesso em: 03 fev. 2022.

A Fé Compartilhada – Pe. Luis Pinto Azevedo

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Com São Brás celebrar as bênçãos de Deus

Fonte: https://cruzterrasanta.com.br/

 

A comemoração litúrgica de São Brás (ou Blásios) é celebrada no calendário romano no dia 03 de fevereiro, dia posterior à festa da Apresentação do Senhor. Uma primeira pesquisa nos meios eletrônicos nos indica que o nome Brás é derivado de blásius, que tem origem latina, blaesus, que significa gago. Mas, de acordo com a Legenda Áurea, o nome Brás vem de blandus, “suave”, ou de belasíus, formado de bela, “costume”, e syor, “pequeno”. De fato, São Brás foi suave em seus sermões, virtuoso em seus costumes e humilde em sua conduta. Sobre a história do Santo, sabemos, pela breve nota que consta na liturgia das horas, que viveu no século IV, foi bispo de Sebaste (Armênia) e seu culto se popularizou no período da Idade Média, propagando-se por toda a Igreja. Foi decapitado, segundo consta na tradição, no ano de 316 em Sebaste.

Na oração do dia, se suplica a paz na vida presente e a felicidade na vida eterna pela intercessão do mártir. No ofício das leituras, escutamos Santo Agostinho, que em um dos seus sermões insiste aos pastores: “sacrifica-te pelas minhas ovelhas”. Na iconografia de São Brás temos uma referência ao gesto de abençoar, as vestes episcopais e o livro da Palavra na mão direita. No entanto, em estampas populares, também vemos imagens do santo com velas trançadas nas mãos e com o báculo. Em Vitrais da catedral francesa de Charters, temos representações da sua devoção. Também existem esculturas do seu martírio em pilares góticos, representando o santo despido, recebendo torturas e tendo apenas a mitra na cabeça. No município de Santarém (PA), há uma comunidade, localizada na região do Eixo Forte, que leva o nome do santo e o festeja como padroeiro.

 

Benção de São Brás nos festejos de São Brás, região do eixo forte, Santarém, Pará. Foto: Thamilles Sousa.

 

A popularidade de São Brás se deve ao fato de que muitas pessoas procuram a bênção e a proteção de suas gargantas por sua intercessão. Muitas igrejas realizam a chamada “bênção de São Brás” no dia do santo. Esse costume começou em decorrência de uma narrativa sobre a cura de uma criança sufocada por uma espinha de peixe. Procurado pela mãe do menino, São Brás realizou a cura por meio da bênção. O Santo é invocado contra os diversos males da garganta. As tradições populares guardam diversas “rezas”, jaculatórias e gestos, como bater nas costas, para os engasgamentos, tosses e soluços. Essas fórmulas populares trazem o nome do santo e tipo de rima (São Brás desafoga esse rapaz).

Por conta da pandemia, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ofereceu orientações para a bênção da saúde e das velas realizadas na Igreja. Nesta bênção, tradicionalmente duas velas são abençoadas e tocam o pescoço das pessoas. No rito, realizado após a homilia, as duas velas unidas por uma fita vermelha são abençoadas e aspergidas. Em seguida, com as pessoas ajoelhadas, erguem-se as velas em forma de cruz, ou cruzadas e profere as palavras da bênção. O texto da bênção é o seguinte: “Pela intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, Deus vos livre dos males da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Ao celebrarmos Deus, admirável e fonte de todas as bênçãos a quem São Brás amou e anunciou, sentimos a necessidade de sermos testemunhas do Senhor com todas as nossas capacidades e de nos colocarmos a serviço de todos. A bênção não é um gesto mágico que recai com efeito assombroso sobre as pessoas, mas é profundamente um ato de gratidão a Deus que nos cria. Com São Brás somos chamados a sermos despojados e autênticos evangelizadores com as graças que recebemos. Celebramos a bênção do Deus da vida que nos quer sempre bem.

Texto: Frei Fábio Vasconcelos, OFM.

 

 

REFERÊNCIAS

VARAZZE, Jacopo de. Legenda Áurea: vida de santos. Trad. Hilário Franco Junior, São Paulo: Companhia das letras, 2003.
CNBB. Comissão para a Liturgia divulga orientações para a bênção das velas no dia de São Brás. Disponível em: <https://www.cnbb.org.br/comissao-para-a-liturgia-divulga-orientacoes-para-a-bencao-das-velas-no-dia-de-sao-bras/>. Acesso em 13.jan.2022.
POEL, Francisco van der. São Brás. In: _______. Dicionário de Religiosidade Popular: cultura e religião do Brasil. Curitiba: Nossa cultura, 2013

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Vamos festejar a Luz: A festa da Apresentação do Senhor em sua origem, desenvolvimento histórico e significado

 

Origem e desenvolvimento histórico

A festa da Apresentação do Senhor é o momento em que celebramos o mistério pascal de Cristo que se manifesta como luz das nações, tem sua origem ligada à tradição judaica da oferta no Templo em razão do nascimento de um filho, conforme a prescrição de Levítico 12, 1-8. A narrativa bíblica de Lucas 2, 22-40 nos conta esse evento. Sua ligação é profunda com o Natal do Senhor, embora seja celebrada fora deste ciclo, ela é como a sua conclusão definitiva (ADAZÁBAL, 2013).

O Missal Romano nos diz que com essa festa se encerram as celebrações natalinas. Por outro lado, com a oferta da Virgem e a profecia de Simeão se abre o caminho da Páscoa. Quarenta dias depois do Natal, no dia 02 de fevereiro, é que se celebra essa festa. Sua origem tem como testemunha remota a peregrina Egéria, que no século IV descreveu como se celebrava essa festa litúrgica em Jerusalém. A peregrina, ao descrever essa liturgia, a situa na quadragésima da Epifania e a apresenta como momento de grande solenidade com procissão na Anástase (MARTINS, 2017).

De acordo com Adolf Adam (1990), essa festa já seria testemunhada em Roma pela metade do século V. A procissão com as velas de algum modo ressignifica ou substitui a procissão de purificação da cidade. Essa caminhada de expiação se chamava amburbale e se celebrava de cinco em cinco anos, sempre no início de fevereiro. As vestes roxas que eram prescritas até 1960, indicavam o tom penitencial que era originário daquela antiga festa romana.

No século III, temos a introdução da lâmpada de luz (lucerna) na ceia da comunidade, conforme a Tradição de Hipólito de Roma, o que leva a crer que essas liturgias, com uso da luz e louvor ao Cristo, clarão do Pai, estivessem presentes em certas celebrações ao cair da tarde. No entanto, foi precisamente no século V que se acrescentou a procissão luminosa à Festa da Apresentação. Foi na região da Gália onde originou-se o costume da bênção e procissão das velas (benedictionem candelarum). Conforme Júlian López Martín (1996), foi o papa Sérgio I ( + 701), de origem síria, quem teria adotado essa festa com a procissão luminosa. Esse rito de “lucernário” se mantém até hoje, baseado no trecho bíblico em que Simeão proclama Cristo “a luz das nações”.

 

Significado

A procissão com a bênção das velas dá sentido ao nome popular para essa festa, conhecida como a festa das candeias ou Candelária. No nordeste brasileiro, mais especificamente em Juazeiro do Norte (CE), ainda se faz uma grande romaria enquanto se canta: “bendita louvada seja a luz que mais alumeia, valei-me meu padinho Ciço e a Mãe de Deus das candeias”.

Em toda a Igreja do Oriente, essa festa era nomeada de hypapante (Ὑπαπαντή), o que em grego literalmente designa encontro. No século VII, a festa do encontro chega à Roma, mas aos poucos, na Igreja do Ocidente, ela passa a ser celebrada como a Purificação de Maria (In Purificatione B. Mariae Virginis), fixando a data para quarenta dias depois de 25 de dezembro. Desse momento em diante, o caráter cristológico desta festa dá lugar ao aspecto mariano. No calendário reformado à luz do Vaticano II, essa festa volta a assumir um nome que expressa seu significado centrado em Cristo: “Apresentação do Senhor”.

No ano de 1997, o então Papa João Paulo II, designou o dia da festa da Apresentação do Senhor como dia mundial da vida consagrada. Assim, alguns institutos de vida consagrada optam por celebrar a profissão religiosa junto da festa litúrgica deste dia.

A celebração da Apresentação de Jesus no Templo se insere nas Festas do Senhor que ocorrem no Tempo Comum. Desta maneira, essa festa se celebra depois do ciclo do Natal, após já termos celebrado o Batismo de Jesus. No entanto, ela tem um forte tom de liturgia da manifestação de Cristo, o Verbo encarnado. Ao mesmo tempo, ela é carregada de uma forte ligação com a Páscoa anual, seja por ser na quadragésima do Natal, seja por começar com uma liturgia lucernar. A expectativa da segunda vinda, um dos elementos marcantes do ciclo do Natal (especialmente do Advento) pulsa dentro dessa celebração festiva.

A centralidade do mistério pascal se mostra na presença da Salvação que vem para os que esperavam sua plena libertação. Essa força pascal e do Espírito que impeliram o caminhar de Simeão são presentes na comunidade que celebra com Cristo. O encontro com o Deus da encarnação e da Páscoa, que são faces de um mesmo mistério, se dá na liturgia que se celebra aguardando sua nova vinda. Essa celebração é memória e anúncio da alegria das nações.

As dimensões em que se desdobra essa festa são a partir do mistério pascal: cristólógica, eclesial e antropológica. Ela tem suas raízes no anúncio de Cristo que se encarna, revela e salva. Perpassa a vida da Igreja chamada a ser comunidade que celebra e espera no seu Senhor, e que por meio da liturgia, atualiza a Apresentação no Templo. Por fim, na sua dimensão humana, manifesta às pessoas a meta da sua vida, a iluminação, o encontro do sentido e o caminhar para a eternidade com Deus. As celebrações litúrgicas são esse encontro da humanidade com Deus, o casamento entre o Esposo e a Esposa.

O calendário popular tem forte apreço por essa Festa das Candeias. Grande e frutuoso diálogo se poderia traçar entre liturgia e piedade popular. Os tempos de romaria e outras caminhadas poderiam ser unidos com essas celebrações. Entre as iniciativas já presentes destaca-se no livro Ofício das Romarias de Reginaldo Veloso, a louvação das Candeias, para uso em celebrações da Palavra de Deus na ausência dos ministros ordenados. Esses e outros elementos, como as “velas bentas”, são espaços onde a piedade popular se une com a tradição litúrgica. O Cântico de Simeão e outros textos bíblicos e litúrgicos nos ajudam a celebrar bem essa Festa. Com essa intenção, a Equipe de música litúrgica da CNBB sugere um repertório que se encontra registrado no CD Festas Litúrgicas.

 

Texto: Frei Fábio Vasconcelos, OFM.

 

 

REFERÊNCIAS
ADAM, Adolf . The Liturgical Year: Its History & Its Meaning After the Reform of the Liturgy. Estados Unidos: Liturgical Press, 1990.

ALDAZÁBAL, José. Vocabulário básico de liturgia. São Paulo: Paulinas, 2013. pp. 37-38.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.

CASEL, Odo. O mistério do Culto no cristianismo. Trad. Gemma Scardini. São Paulo: Loyola, 2011.

CNBB. Hinário Litúrgico III. São Paulo: Paulus, 2016.

HIPÓLITO DE ROMA. Tradição Apostólica: Liturgia e catequese em Roma no século III. Maucyr Gibin,(Org). Petrópolis: Vozes, 1971. 99 p. (Fontes da Catequese; 4).

LIBER USUALIS. Roma: Typis Societatis S. Joannis Evangelistae, 1950.

LITURGIA DAS HORAS. Petrópolis/ São Paulo: Vozes/ Paulinas, Paulus, Ave-Maria, 2004.

MARTINS, Maria Cristina. Peregrinação de Egéria: uma narrativa de viagem aos Lugares Santos. Trad. Maria Cristina Martins. Uberlândia: EDUFU, 2017. Disponível em: < http://www.edufu.ufu.br/sites/edufu.ufu.br/files/e-book_egeria_2017_0.pdf >. Acesso em 22.mar.2021.

MARTÍN, Julián López. La Litugia de la Iglesia: Teología, historia, espiritualidad y pastoral. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1996. (Series de Manuales de Teología). p.271.

OFÍCIO DIVINO DAS COMUNIDADES. São Paulo: Paulus, 2011.

SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Missal Romano. Trad.: CNBB. São Paulo: Paulus, 1997.

_______. Palavra do Senhor III: Lecionário para as missas dos Santos, dos comuns, para diversas necessidades e votivas. Trad.: CNBB. São Paulo: Paulus, 1997.

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Tapiri da Palavra: Primeiro domingo do Advento

Em muitos momentos da nossa vida, precisamos esperar algo para acontecer. Quantas vezes, por exemplo, é preciso esperar na fila do ônibus ou do banco, ou na fila do INSS. Praticamente todos os dias, passamos tempo na espera de alguém ou alguma coisa e perdemos muito tempo esperando. Mas, ao mesmo tempo, há duas maneiras de esperar. Podemos esperar simplesmente fazendo nada. Ficamos na fila do banco só de braços cruzados, parados sem fazer nada, ou podemos esperar fazendo algo. Quando, por exemplo, esperamos por algum evento importante. Podemos citar a família que espera o nascimento de um filho. Os pais não ficam parados, fazem todos os preparativos para o grande dia. Preparam o quarto, a roupa, o berço. A mãe tem uma grande expectativa e se prepara fazendo os exames de pré-natal para aguardar o dia que o filho vai chegar. Em outras palavras, estas pessoas estavam esperando algo importante na vida, mas não de braços cruzados ou parados, pelo contrário, fazendo várias atividades em preparação. Podemos dizer que a espera era de ação e não de acomodação.

O tema principal do tempo de Advento é a espera por Jesus. A nossa rotina continua a mesma todos os dias, mas nós como cristãos, neste tempo especial, esperamos por algo muito importante: a vinda do nosso Salvador. Neste primeiro domingo de Advento, todas as três leituras falam sobre esta espera pela vinda do Senhor não somente no passado, mas também no presente e no futuro.

Primeiramente, escutamos a profecia de Jeremias e alimentamos nosso espírito de espera olhando para o passado. O profeta vivia numa triste realidade de um povo abatido e cansado por causa da grande opressão do exílio na Babilônia. Este povo esperava a libertação e Jeremias lembra que brotará um novo rebento do rei Davi que vai fazer brotar a justiça: “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel e para a casa de Judá. Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente de justiça, que fará valer a lei e a justiça na terra” (Jr 33, 14-15).

Os primeiros cristãos, olhando para esta profecia do passado, descobriram que o novo rebento que vai brotar é o próprio Jesus e o seu nascimento é a certeza da nossa salvação. Assim nós hoje, recordando as promessas de Deus no passado podemos alimentar nossa esperança na vinda do nosso Salvador.

Segundo, São Paulo na sua carta aos Tessalonicenses, nos exorta a viver o amor: “O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós” (1Ts 3, 12). Se não vivemos o amor no momento presente, nossa esperança se torna vazia. Na medida que cresce entre nós atos de amor e solidariedade, cresce também nossa esperança de que Jesus está entre nós e a sua presença nos dá a certeza que Ele continua nascendo e nos trazendo vida nova e plena, de acordo com a nossa dignidade de sermos filhos e filhas de Deus.

Terceiro, no evangelho de São Lucas, olhamos para o futuro. O evangelho fala de sinais catastróficos, mas estes sinais não representam tanto o que vai acontecer no fim do mundo, mas que Deus vai intervir na nossa história para nos libertar. Assim é preciso reavivar nossa esperança pelo novo dia que surgirá e devemos intensificar nossa vigilância para reconhecer e acolher o Senhor que vem: “Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem” (Lc 21, 36). Mesmo diante de fatos de tristeza ou de medo, sempre devemos alimentar nossa esperança de que nossa salvação se aproxima.

Este tempo de Advento tem dois momentos: nas primeiras duas semanas, vigilantes e alertas, somos convidados a esperar a segunda vinda de Jesus no final dos tempos; e nas últimas duas semanas, lembrando a espera dos profetas e Maria, preparamos com mais vigilância o nascimento de Jesus em Belém.

Durante todo este tempo de Advento ficamos então na espera, não parados ou despreparados, mas pelo nosso compromisso de fé, na vigilância e na ação. No mundo de hoje, todo mundo tem pressa e perdemos a capacidade de esperar. Queremos ver acontecer agora e não mais tarde. Assim, este tempo de Advento é uma grande oportunidade de contemplar o grande mistério da encarnação e esperar com confiança e fé a segunda vinda de Jesus. Continuamos nossas tarefas e trabalhos como de sempre, mas agora de uma maneira diferente, dando testemunho da nossa identidade cristã. Advento é a ocasião da espera fecunda e, ao mesmo tempo, ativa, concentrando nossos esforços e ações naquilo que é essencial na vivência da fé: gestos de solidariedade, justiça e paz.

 

Por: Frei Gregório Joeright, OFM

Arte: Frei Fábio Vasconcelos, OFM

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Pobreza: uma pandemia que se supera desde a compaixão

 

A pobreza é uma realidade com presença secular na vida da humanidade. Podemos dizer que a pobreza tem diferentes causas, mas também somos desafiados a assumir que superar a pobreza é possível. Para isso se faz necessário estarmos dispostos olhar os outros com sentimentos diferentes, deixando para trás o egoísmo, que pode ser considerada como uma das causas da pobreza, e assumindo a partilha.

A gente partilha quando sente compaixão pelos outros, uma pergunta que coloca na nossa frente a Jornada Mundial dos Pobres deste ano. Instituída pelo Papa Francisco, neste próximo domingo, 14 de novembro, acontece a quinta edição. Na sua mensagem para esta Jornada, o Papa Francisco nos lembra que “toda a obra de Jesus afirma que a pobreza não é fruto duma fatalidade, mas sinal concreto da sua presença no nosso meio”. O Santo Padre insiste em que “os pobres são verdadeiros evangelizadores”.

Isso acontece, nos lembra a mensagem pontifícia, “porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai”. Além das ações, o Papa pede atenção para com os pobres, se preocupar com eles, partilhar a sua sorte, a exemplo de Jesus. Nos envolvermos diante do sofrimento dos outros, especialmente dos vulneráveis e descartados, pode ser considerado como um termómetro que mede nossa capacidade de viver a compaixão, que pode ser considerada atitude indispensável na vida dos discípulos.

A partilha é uma atitude que deve ser assumida, como algo que gera fraternidade, reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça, segundo a mensagem do Papa Francisco.

Num momento histórico em que a pobreza no Brasil está aumentando, devemos nos questionar sobre o que fazer para superar essa realidade que cada dia mais atinge a pessoas próximas da gente. A pandemia pode ser considerada como uma das causas do aumento da pobreza, mas não podemos negar que as decisões políticas também contribuem para o aumento da pobreza.

A falta de políticas públicas, o recorte dos direitos trabalhistas, o aumento da inflação, sobretudo dos produtos de primeira necessidade, está fazendo com que a vida dos mais pobres fique cada dia mais difícil. A fome, a população de rua, o desemprego, e outros indicativos da pobreza aumentam a cada dia, e isso faz com que seja urgente a toma de medidas para superar uma realidade cada vez mais cruel. Ver pessoas procurando comida num caminhão de lixo não pode nos deixar indiferentes.

Fazemos parte de uma sociedade que cria guetos, que considera os pobres como pessoas aparte. Na verdade, é a própria estrutura social que produz a pobreza, e isso demanda respostas concretas, fomentando a solidariedade social e a generosidade. Mas somos capazes de fazer isso? Desde a fé nossa resposta tem que ser clara: a compaixão nos faz felizes e nos ajuda a entender que salvar o outro, especialmente aquele que sofre, é nos salvarmos a nós mesmos.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

 

FONTE: http://cnbbnorte1.blogspot.com

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Tapiri da Palavra: 33º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Estamos chegando ao fim do ano litúrgico e semana que vem celebramos a festa do Cristo Rei do Universo e depois começamos o novo ano litúrgico com o primeiro domingo do Advento. A liturgia deste domingo então nos fala dos fins do tempo: “Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas” (Mc 13, 24). Jesus fala de coisas desastrosas que vão acontecer depois da grande tribulação. O que foi esta grande tribulação? Lembramos que São Marcos escreveu seu Evangelho para os primeiros cristãos da segunda geração, pessoas que não tinham visto, nem conhecido Jesus. Aderiram à fé por causa do testemunho dos apóstolos, abraçaram a causa de Jesus, mas enfrentaram grandes dificuldades e começaram a desanimar e até querer desistir. A grande tribulação foi justamente a destruição do Templo de Jerusalém pelos Romanos. Este acontecimento foi um grande abalo na vida do povo, não somente para os judeus, mas também para a comunidade cristã.

Então Marcos projeta para o futuro aquilo que já estava acontecendo e ele fez isto por uma razão, para dar sentido aos acontecimentos. Diante de tanto sofrimento, o povo andava perguntando: por que está acontecendo tudo isso? Por acaso ou tem alguma explicação? Como devemos agir diante dos acontecimentos? Tem esperança?

A resposta que Marcos dá é que o povo pode buscar o sentido dos acontecimentos no seguimento de Jesus e que, através da sua palavra, o cristão pode enfrentar as dificuldades e vencer o mal: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13, 31). A parábola da figueira confirma esta esperança, pois quando começam a brotar os seus ramos, dá sinal de que o inverno está no fim e o verão está chegando. É o fim de um período, embora sombrio, cheio de dificuldades e aflições, mas que dá início a um tempo novo, cheio de esperança e expectativas de uma vida nova, pois sempre haverá possibilidade de um recomeço.

Por isso, podemos dizer que é Jesus que nos revela o sentido da nossa existência: “Todo sacerdote se apresenta diariamente para celebrar o culto, oferecendo muitas vexes os mesmos sacrifícios, incapazes de apagar os pecados. Cristo, ao contrário, depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus” (Hb 10, 11-12). Este sacrifício único de Jesus levou à perfeição definitiva e nos prepara também para a batalha contra o mal. Por isso, por causa da fé e pelo seguimento de Jesus, nós também podemos brilhar para vencer as trevas deste mundo: “Os que tiverem sido sábios, brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude, brilharão como as estrelas, por toda a eternidade” (Dn 12, 3). É isto a nossa esperança diante dos abalos da vida. A nossa certeza é que, pela fidelidade à palavra que nunca passará, nós podemos enfrentar as dificuldades na vida e até construir o novo.

Interessante constatar como a humanidade tem uma fixação com o fim do mundo. Parece mais fácil temer as coisas do futuro do que nos preocupar com os acontecimentos de hoje. Talvez tudo isto para nos tirar do verdadeiro sentido da nossa existência e da vivência da fé. A liturgia de hoje nos ensina que a pessoa de Jesus e a sua palavra são para nós, como também para os primeiros cristãos, a nossa esperança. Continuam nos oferecendo o caminho que devemos seguir e aquilo que devemos esperar.

Por isso, devemos lembrar que a nossa fé não se baseia no medo e nem no castigo. Há pessoas de outras igrejas que querem nos meter o medo, falando do apocalipse e do castigo eterno e até nos engando para conseguir mais adeptos para sua própria igreja. Nossa fé se baseia na vivência do amor e da partilha, quem vive isto não terá medo do fim do mundo e nem do castigo. A palavra de Jesus não passa e é preciso ouvir, meditar e orientar nossa vida por ela. Bendito seja quem a vive, pois nunca perderá a esperança. Estamos também em tempos muito sombrios: uma pandemia que ainda nos afeta, uma crise econômica que aumento a pobreza e a miséria, os conflitos entre pessoas e países com guerras violência e refugiados e a crise climática pela ganância humana que aumenta o risco de desastres naturais e até o fim da humanidade. O que fazer diante disto? Há esperança?

O sentido da liturgia de hoje é justamente para nos questionar sobre nosso compromisso cristão. Devemos avaliar a nossa maneira de ser cristão, pois podemos ser quem procura contribuir para que muitos cheguem mais facilmente a Deus ou, pela nossa ação, contribuir para que reine no mundo a injustiça, a maldade, o erro. Como cristãos queremos construir o Reino, é este Reino que renova tudo e é por este Reino que podemos descobrir o sentido da vida e o verdadeiro compromisso cristão.

Por: Frei Gregório Joeright, OFM
Arte: Frei Fábio Vasconcelos, OFM